Foram mais de 60 dias de contagem regressiva na sua cabeça para o dia do show. Na véspera são os apetrechos para o visual. No dia fica a contagem regressiva em definitivo - o banho e a troca de roupa ao meio dia e vinte depois de uma manhã de trabalho. Depois a espera de dois “busão” que nunca apareciam para poder chegar até São José dos Campos e você pensa que não vai dar tempo. Enfim a chegada ao local de partida em frente à agência de viagens em cima da hora e finalmente você avista aquele monte de cabeludos com a camiseta preta da sua banda preferida, cada qual com a sua gravura.
E é aí que você diz pra você mesmo:
_ Consegui puta que o pariu! Sem almoço, com sede e fedendo a suor, mas consegui!
E igualmente a você, foram mais de 60.000 pessoas tomando o mesmo rumo!
Você está prestes a entrar no ônibus com aquele mundaréu de cabeludos, tatuados, bebedores de cerveja também suados, vestidos igualmente a você com aquela calça jeans pra variar quase sempre velha e rasgada e camiseta preta. Você senta na sua poltrona e pega uma “breja” também para se refrescar e aí consegue relaxar.
Você ouve o som da ignição do motor e já relaxado pensa:
_ Agora é só chegar lá são e salvo!
São quatro horas de viagem dentro do busão curtindo o som da banda que você praticamente ouviu desde 1980 como programas ClipTrip com o saudoso Beto e o Capi, nos já extintos vinil e fitinhas k7. A marginal do Tietê pra variar travada, lenta e estressante, mas você está ali firme trocando uma “idéia” com seus novos colegas cabeludos ou carecas e tatuados, enquanto manda outra cerveja pra dentro.
O motorista desliga o busão, abre a porta e você sabe que agora só depende de você e mais ninguém. É chegar ao estádio com as suas próprias pernas, já com o precioso e caro ingresso na mão e finalmente entrar naquela “porra” pra curtir tudo o que puder, mesmo que careta e só com umas dez latas de cervejas na cabeça.
Contagem regressiva mais uma vez! São 18h30 e a banda só entra no palco às 21h30! Mas de boa, você já está lá dentro com seu lugar garantido, seja lá onde for, olhando para toda aquela estrutura que um mundaréu de pessoas passou a semana toda montando, só para que você pudesse apreciar um show de qualidade.
Um pouco antes das 20h30 vem àquela chuva braba e você não está nem aí. É pra lavar a alma mesmo, você pensa mais uma vez!
E de quebra entra o vocalista do IRA que é um ícone dos anos 80 também! O Nasi canta Raul, canta Camisa de Vênus e manda bem mais uns covers que faz você voltar no tempo mesmo, lá nos oitentão!
As luzes se apagam mais uma vez e o coração acelera! Você sabe que agora é a banda quem vai entrar! A platéia histérica grita, assovia, levanta os punhos tudo para saldar os caras mais veio do planeta! Afinal, são quase 40 anos só de carreira dos caras, desde 1973.
No telão “um puta” de um clipe aparece nos telões que estrategicamente colocaram para que todos pudessem apreciar por igual, para não perder nenhum detalhe mesmo – é o Rock ‘n’ Roll Train; música nova da banda, mas que a galera já sabia de cor!
Bom, aí é só uma curtição atrás da outra! Fora a presença marcante de Angus Young e a voz estridente e inigualável do Brian Johnson que tiveram um palco à altura da banda, com seus canhões, a Rosie de lingerie, a locomotiva soltando labaredas de fogo o tempo todo e o sino de Hells Bells! E para finalizar um espetáculo à parte com fogos de artifícios que encheram os olhos da galera.
O que fica depois; a sensação do dever cumprido, o fato de você ter tido a graça e a felicidade de ter estado ali quando muitos não puderam, a alegria de ver os caras mais veio com uma performance de adolescente se dedicando a um público fiel e carente de bandas boas hoje em dia.
Para mim, faltou tocarem “Money Talks”, para o meu irmão não tocaram “Jail Break” e para o meu filho “foi do kct”. Mas e daí? Os caras mandaram bem, fizeram o dever de casa e deram uma aula de rock! Provaram mais uma vez que ser “veio” de estrada não atrapalha em nada, pelo contrário, só aprimora o que você já sabe. Basta ter força de vontade e é claro que um baita de um talento pra tocar guitarra como Angus Young - que com seus dedos mágicos o “véio” esmerilhou e de praxe fez um strip super divertido e inocente.
AC/DC não tem nada a ver com “Antes de Cristo, Depois de Cristo” ou qualquer outra bobagem como muitos dizem por aí. É só mais uma banda bacana que nasceu em meados de 1973 com o propósito de fazer música boa, rock ‘n’ roll puro mesmo. E graças aos seus talentos, dedicação e perfeição tornaram-se uma lenda do rock!
"Alternating Current/Direct Current" (ou, traduzindo para o português, Corrente Alternada/Corrente Contínua), que os irmãos Young tiraram de uma plaquinha da máquina de costura da irmã deles. Aliás, tem tudo a ver sim com a energia de Angus no palco!
É isso aí! Show para ficar na estória mesmo! Eu fui e agradeço a Deus por ter me dado essa oportunidade, mesmo sendo contraditório. Só vi gente com os mesmos objetivos, com a mesma energia, ou seja, o de curtir um puro sangue, um puro rock ‘n’ roll. Vi por lá a coisa sendo bem feita, com carinho, dedicação por pessoas anônimas que trabalharam muito para que tudo desse certo. E deu! Como deu!
Parabéns aos integrantes do AC/DC e a toda sua equipe técnica.
AC/DC eu fui!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

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