Ontem eu vi uma coisa que me deixou perplexo, de boca aberta literalmente! Diria até que de queixo caído. E não foi Jesus descendo dos céus não! E tão pouco foi algum noticiário sobre Bin Laden ... embora que, em parte, o assunto tem um pouco haver com essa “persona”.
Mas foi algo que me fez pensar mais um pouco sobre o assunto lá em casa, já na minha cama em baixo dos cobertores e de pança cheia pra variar, enquanto ouvia músicas do Pink Floyd para adormecer mais rápido. Mesmo tendo refletido o episódio durante o dia todo, revisto em câmera lenta as imagens em minha cabeça por diversas vezes enquanto tomava um ônibus de volta para o escritório ou mesmo enquanto andava pelas ruas agitadas da minha pacata cidade voltando para casa já quase noitinha. Neste dia passei até a olhar para as pessoas de um jeito diferente! Não sou muito de olhar para os rostos das pessoas enquanto caminho pelas ruas, mas neste dia, olhei e as encarei mesmo. Olhava em seus rostos para ver se achava alguma resposta em suas fisionomias ou algo em seus olhares que me desse um sinal para entender o que eu tinha visto. Umas mais bonitas e outras nem tanto. Umas bem vestidas e arrumadas, outras nem tanto. Umas grandonas, outras nem tanto... Umas sérias e outras nem tanto. Algumas delas desviaram o olhar e outras ficaram ali firmes. Bom, entre umas e outras acabei num barzinho perto de casa! E enquanto eu tomava umas e outras, continuava pensando no que tinha visto.
“Mas pelo amor de Deus! Conta logo a porra do que você viu e para de enrolar!” Vocês devem estar com estes pensamentos agorinha. Não estão não? Estão sim...
Mas foi exatamente assim que eu me senti depois de ver o que vi gente! Não podem ter um pouquinho de paciência não?
“Conta puta merda; se não vou parar de ler esta porra!”
Para não! Espera; que eu conto! Vai valer a pena no final. E depois, você vai acabar igualzinho a mim. Na sua cama quente, debaixo do seu cobertor e com sorte de pança cheia que nem eu, refletindo no que relatei nesse primeiro episódio nosso.
Mas o que vi conto já - já! Enquanto não conto, vou contando as coisas que pensei o dia todo!
Neste dia em especial, depois de ter visto o que só eu vi, refleti sobre a vida. De como ela pode ser frágil e ao mesmo tempo tão forte e tão poderosa. Um dia a gente está “vivinho da silva” e no outro pode não estar mais! Não é assim?
Às vezes os noticiários relatam que um montão de gente morreu ao mesmo tempo, seja por guerra, queda de avião (ó o Bin Laden aí – não disse que ele ia aparecer!), epidemia, terremoto, furacão ou outra coisa qualquer. A gente pasma na hora e o assunto acaba sendo a ordem do dia! Pronto! Você só ouve aquila merda o dia todinho, a semana todinha e depois de há muito esquecido, eles fazem questão de relembrar à você tudo novamente no último dia do ano, quase pertinho da virada, naqueles porcarias de “retrospectiva”. Para depois cair no esquecimento de todo mundo mais uma vez.
E assim, nós vamos levando. Nós vamos sobrevivendo como se diz muito por aí. Uns não tão bem como queriam ou como programaram. E tem aqueles que vão bem pra caramba! E não dá de certa forma uma invejinha em alguns momentos da vida da gente – (principalmente quando a gente tá naquele dia aperreado com contas pra pagar e já vencidas, digam-se de passagem quase todas vencidas, o sol cozinhando os miolos, a boca sedenta por um gole de um refrigerante geladinho e você pensa: “_ Ou tomo o refrigerante geladinho e vou a pé para casa ou não tomo nada e vou de ônibus para casa e chego lá mais cedo.”) é quando vemos aquele ou aquela sortuda dirigindo aquele carrão com ar condicionado que só com o dinheiro da venda dá até pra gente comprar a casa do sonho de tão caro que é o trem do afortunado! Eu ás vezes tenho essa dorzinha de cotovelo! Você não?
A verdade é que enquanto tivermos saúde estaremos ali na frente das trincheiras da vida, seja a pé, de carrinho ou de carrão, de limusine ou de jatinho particular. Estaremos firmes ou meio moles para o que der e vier! Lutando por interesses coletivos, pessoais ou em prol da sua família. Estaremos abrindo os olhos e colocando os pés no chão todos os dias para avançar mais um degrau da vida, seja ela fácil ou difícil.
E assim é a vida que quase sempre não sabemos como vai terminar ou começar uma nova. Para aqueles que já sobreviveram a situações de vida ou morte, seja numa cama de hospital enfrentando uma cirurgia pesada, seja saindo de um acidente inacreditável onde saiu ileso ou simplesmente porque numa troca de tiros com a polícia o dito cujo preferiu se entregar e aceitar uma vida na cadeia só para viver um pouco mais, sabem exatamente do que estou falando.
Sobrevivência é um dom! É um desejo que vem não sei da onde, de dentro ou de fora de nós, que faz com que a pessoa grite por dentro nas horas em que tudo parece perdido, mesmo que tenhamos cem por cento de certeza e porque não dizer a palavra “absoluta” de que não vamos sair daquela com vida. E mesmo assim, uma voz interior clama para continuar vivo! Uma máquina frágil e complexa, que depois de séculos e séculos não conseguimos entendê-la por completo e talvez nunca cheguemos a entendê-la! Muitas coisas a serem descobertas sobre ela, muitos reveses e pra não complicar mais nem vou entrar no mérito de termos ou não termos uma alma imortal; se não o papo toma outro rumo!
Mesmo quando falamos ou ouvimos alguém, ou algum programa trás à tona assuntos sobre o fim do mundo, continuamos firmes ali no nosso dia a dia, trincheirando cada pedaçinho de centímetro quadrado para nos mantermos simplesmente vivo e o mais inteiro possível! O fim do mundo... tanto mistério e paradigmas em volto deste assunto que nós assustamos com o que pode ser este fim do mundo. Quando será? Como será? Bom ou ruim? Cruel e desumano? E se for falarmos da besta solta chuchando a gente então, aí é que a merda fede! Zumbis comedores de gente... melhor para por aqui!
Mas uma coisa é certa, a de que com fim do mundo ou sem fim do mundo, todos nós sem exceção, desejamos lá no íntimo viver até o fim ou até onde a gente agüentar dependendo da situação.
Foi isso o que vi e que me levou à uma reflexão mais profunda por todo um dia. Fazendo-me refletir sobre a vida em geral e principalmente pensar sobre a minha vida, no da minha família, parentes e amigos. E até na dos inimigos que não conhecemos ou se conhecemos não nos importamos até que a coisa torne-se pessoal; como é o caso da violência desnecessária que propagam os filmes, novelas e lamentavelmente nos desenhos também. A corrupção de gananciosos que deixam ao acaso e com o descaso nossas crianças serem traficadas, prostituídas e até mesmo violentadas moralmente todos os dias. Inimigos como o tabaco e o álcool que convivemos indiferentes e até “levamos numa boa”, mas bem a verdade, destrói lares todos os dias e entristece muitas esposas que acabam tendo que lutar sozinhas por sua família.
Ah! O que vi? Vou contar... (a mãe não!)
Vi um pardal! Ele passou por mim dando um vôo rasante, numa avenida vindo a se chocar em seguida na lateral de um ônibus da “Pássaro Marron” e depois, caiu no asfalto quente. Num esforço danado ele tentou alçar vôo novamente e acabou parando de baixo de um carro que passava vagarosamente atrás do ônibus – acho que escapou do pneu por um trisco mesmo! Pulou daqui e dali enquanto desviava-se de outros carros, até que conseguiu se aconchegar perto da guia. De certo, seu coração deveras bater igual às asas de um beija-flor naquela altura do campeonato! Foi quando eu parei de ser apenas um mero expectador e resolvi ir ao seu encontro ajudá-lo. Porém, surpreendentemente ou instintamente, pensando ele que eu ia lhe fazer algum mal, saiu batendo asa todo torto, conseguindo parar no galho de uma árvore. E ali ficou.
O resto é história para ele contar pro pessoal dele. Para mim, o que ficou foi a luta por mais alguns dias de vida que ele tem ou quem sabe quantos dias mais o sofrido pode vir a ter com a asa quebrada – não sei como iria se arranjar dali pra adiante. Mas o importante é que lutou com todas as suas forças para continuar vivo!
Acho que é por aí. Viver um dia de cada vez. E sobreviver da melhor forma que conseguirmos, claro que sem prejudicar os outros ou sugar seu semelhante. Mas esse assunto de como viver é para outro bate papo, outra oportunidade.
Como diz uma prima muito querida minha: “Se você não consegue ver um pardal por dia que têm tantos, você não viveu este dia.” Ou algo parecido com isso. Não me recordo direito no presente momento como ela fala.
Pensem nisso. E reflitam de como temos nos comportado conosco mesmo. Com a nossa saúde, com o próximo e no que nossos atos e atitudes irão refletir no coletivo. Afinal não respiramos oxigênio liberado pela respiração das plantas e soltamos dióxido de carbono para elas produzirem oxigênio para nós? Então, isso é a vida pessoal!
Boa vida a todos e brindemos sempre a ela!